Tuesday, February 26, 2013

Brasileiros na F3, 1966


A primeira participação de brasileiros na Fórmula 3, no exterior, se deu em 1966 quando Wilson Fittipaldi Jr. participou da Temporada Argentina de F-3, com o Willys Gávea. Os resultados foram modestos, mas deve-se considerar que o chassis do carro foi construído no Brasil, embora o conjunto motopropulsor fosse francês. Os resultados estão aqui. Posteriormente, Wilson tentou se aventurar na F-3 Européia, conseguindo se inscrever somente na Coupe de Vitesse, em Reims, com um Pygmee. Não conseguiu classificar-se para a largada, e resolveu voltar para o Brasil.

0 vitorias

Carlos de Paula é tradutor, escritor e historiador de automobilismo baseado em Miami

Brasileiros na F-3, 1988


Nesse ano, enquanto Ayrton Senna tinha a melhor performance de um brasileiro no Mundial de Pilotos, com 8 vitórias, e Roberto Moreno se tornava o primeiro brasileiro a ganhar o campeonato de F-3000, o desempenho dos brasileiros na Fórmula 3 Européia foi um grande desapontamento. Paulo Carcasci correu cinco vezes, com um Reynard-Alfa Romeo, e embora inscrito em diversas outras corridas, freqüentemente não alinhou para a largada. Sua melhor colocação foi um 10° obtido em Silverstone. E ele foi o brasileiro melhor colocado na categoria. Oswaldo Negri largou três vezes, obtendo um 12° lugar e abandonando duas vezes. Já Gil de Ferran, fez sua estréia na última corrida em Silverstone, chegando em 15°, mas disputando a prova com um carro da classe B, com melhor posição no grid do que muitos pilotos da classe A. Um ano esquecível.

0 vitórias.

Carlos de Paula é tradutor, escritor e historiador de automobilismo baseado em Miami

BRASILEIROS NA FORMULA 3 , 1975



Após o esquisito ano de 1974, no qual os dois campeonatos ingleses de formula 3 pareciam moribundos, o RAC tomou a decisão certa de realizar somente um campeonato para a categoria, patrocinado pela BP. Dois pilotos brasileiros representariam o país na categoria, Alex Dias Ribeiro, que no ano anterior chegara em segundo em um dos campeonatos, e Ingo Hoffmann, estreante na categoria. Os dois correriam com March 753-Toyota, sendo que Alex faria parte da equipe de fábrica. O ano começou bem para Alex, que ganhou uma prova extra-campeonato em Thruxton, mas logo entrou em uma fase não muito positiva, acidentando-se muito. Foi oitavo na primeira prova do campeonato, e abandonou nas três seguintes, incluindo uma desastrada atuação em Mônaco. Daí, recuperou-se um pouco, com uma vitória em Brands Hatch, mas infelizmente para Alex seu companheiro de equipe Gunnar Nilsson estava tendo um desempenho maravilhoso, e logo começou a monopolizar as atenções da equipe. A primeira metade do ano foi terrível para Alex, exceto pelas duas vitórias, mas a partir de Caldwell Park, em julho, os resultados começaram a aparecer, e Alex, que estava em 6° na tabela começou a subir de produção. Alex ganhou em Thruxton novamente, subindo para quarto no campeonato, e pontuou nas últimas cinco corridas do ano, chegando na penúltima prova em terceiro lugar. A última corrida foi realizada em Thuxton e Alex ganhou mais uma vez na pista, e abocanhou o vice campeonato, batendo o americano Danny Sullivan.

Ingo teve uma atuação mais modesta, porém mais constante. deixou de participar das duas primeiras corridas do campeonato mas pontuou nas suas duas primeiras provas, com 5° e 6° (em Mônaco) e de fato, pontuou 11 vezes ao todo. Na 18a etapa, em Oulton Park, Ingo já havia subido diversas vezes no podium, com um segundo e três terceiros lugares e só faltava uma vitória, que veio nessa corrida, com 1-2 brasileiro e volta mais rápida para Ingo, que terminou em 6° no campeonato.

Marcos Moraes estava inscrito em Mônaco, mas não compareceu.
Alex e o March de fabrica


Carlos de Paula é tradutor, escritor e historiador de automobilismo baseado em Miami

BRASILEIROS NA FORMULA 3 , 1977


Nada menos do que cinco brasileiros tentaram a sorte na Fórmula 3 em 1977, e somente um foi bem sucedido. Ao passo que Nelson Piquet e Fernando Jorge decidiram disputar o Campeonato Europeu de Fórmula 3, os outros quatro, Mario Pati Jr, Mario Ferraris Neto e Aryon Cornelsen resolveram se concentrar no Torneio Britânico, embora tenham também disputado algumas corridas no continente. Piquet correu com um Ralt, e o começo da temporada não foi muito bom.

Nas suas primeiras oito corridas pontuou só uma vez, com um terceiro lugar em Osterreichring, Áustria. Entretanto, após a rodada de Silverstone Piquet ganhou momento, obtendo cinco pódiums seguidos (dois terceiros, dois segundos e finalmente, a primeira vitória, em Kassel Calden, Alemanha). Coroou o ano com outra vitória em Jarama, Espanha, obtendo o terceiro lugar no Campeonato Europeu. Mario Pati Junior disputou 22 corridas com um March, obtendo dois segundos lugares em fracas provas extra-campeonato. Uma dessas provas é curiosa pois marcou a estréia de Nigel Mansell na F-3 (Donington Park)/ Nos campeonatos ingleses marcou pontos em duas ocasiões, com um 5° e um 6° no final do ano. Também não teve uma performance boa em Mônaco. Ferraris, que fora campeão paulista de Fórmula Vê em 1975, e também o único brasileiro a ganhar uma prova internacional em 1976, na Fórmula Ford inglesa, parecia ter futuro. Fez dupla na March Racing com Cornelsen, e seu melhor lugar foi um 3° na segunda prova de Thruxton do ano. Também obteve um 5° lugar em Caldwell Park, mas logo acabou o seu dinheiro, e só disputou onze provas. Cornelsen voltava à Fórmula 3 após uma discreta participação em 1976, e seu desempenho só pode ser categorizado como apagado. Abandonou a maioria das provas em que participou, e só esteve na zona de pontos na prova de fechamento do ano, quando chegou em 4° lugar. Nunca mais se ouviu falar de Cornelsen no automobilismo. Fernando Jorge fizera furor como estreante na Fórmula Super-Vê brasileira, em 1976, mas na F-3 esteve longe de ser uma estrela. Seu primeiro ano na categoria também foi coroado de abandonos, e a melhor posição foi um humilde 9° lugar em Donington. Se não fosse por Piquet, teria sido um péssimo ano.

Carlos de Paula é tradutor, escritor e historiador de automobilismo baseado em Miami

BRASILEIROS NA F3, 1976



Três brasileiros participaram das corridas européias de Fórmula 3, em 1976. Um, ilustre desconhecido, e outro ilustre conhecido, e o terceiro o único brasileiro a vencer uma prova no exterior em 1976. O conhecido era Paulo de Mello Gomes, que tivera excelente performance na condução dos carros Maverick, nas duas últimas temporadas brasileiras, e que já tinha grande experiência no automobilismo. O desconhecido era Aryon Cornelsen filho, piloto paranaense. O vencedor de prova era Mario Ferraris Neto, que vencera na Formula Ford inglesa. Ao passo que Aryon e Ferraris usaram o conhecidamente eficaz March para as suas campanhas, Paulo Gomes achou que o Modus poderia proporcionar-lhe mais sucesso, pois de fato o carro vinha surpreendendo no final de 1975. No fim, o melhor resultado na temporada foram dois terceiros lugares obtidos por Paulo Gomes, um na terceira corrida do Campeonato Shellsport, e  outro em uma prova extra campeonato em Brands Hatch, no fim do ano Além dessa corrida, Paulo Gomes pontuou raramente, e terminou o campeonato Shellsport em 9° lugar. Já Cornelsen obteve seis pontos no Campeonato BP Super Visco, que lhe renderam a 10° colocação co campeonato. O melhor resultado de Aryon, em uma prova, foi 4° na 5a. etapa do campeonato em Brands Hatch. Aryon e Gomes também participaram do GP della Lotteria di Monza, Aryon obtendo o 7° lugar na prova, e Paulão abandonando. Mario Ferraris Neto, que pretendia correr na F-3 em 1977, fez uma corrida teste em Brands Hatch abandonando.

Paulo Gomes na sua aventura na Europa. O carro é um Modus


Carlos de Paula é tradutor, escritor e historiador de automobilismo baseado em Miami

Wednesday, February 20, 2013

NORDESTE NA EUROPA



Tenho uma queda por pioneirismo, gosto de escrever sobre o assunto, e detectar pioneiros e fazer justiça aos mesmos.

Hoje em dia não choca muito falar sobre pilotos nordestinos ou nortistas com destaque no automobilismo. Entre outras coisas, o amazonense Antonio Pizzonia já chegou a liderar um GP, o bom baiano Tony Kanaan é um top driver da IRL, e até o Pará já esteve representado na F-3000, com Marcos Gueiros. No Brasil, o paraibano Valdeno Brito é um dos principais pilotos da Stock Car, que também tem pilotos do Ceará e Pernambuco.

Nos anos 60 e 70, os poucos pilotos brasileiros que se aventuravam ao exterior eram procedentes de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Brasília. Começava o bem sucedido avanço dos brasileiros no automobilismo internacional. Na época, o automobilismo nordestino se resumia ao Torneio Norte Nordeste, disputado por Fuscas no autódromo Virgilio Tavora em Fortaleza, e quase nunca incluído no calendário brasileiro. E os nordestinos não corriam no sul.


Assim, causou certa surpresa o Team Brasil que se empenhou em participar do campeonato inglês de Formula 3 de 1974, com dois irmãos do Piaui, Marcos Moraes e Luis Moraes. O carro era até patrocinado pelo governo do Piauí, mais especificamente pela empresa responsável pelo turismo no estado. Uma façanha conseguir esta verba. Trabalhei na Embratur entre 1982 e 1985 e sei que as verbas das agências estaduais de turismo eram mínimas. E põe mínimo nisso. Bem, isso não vem ao caso, e duvido que alguém tenha visitado o Piauí por ter visto o patrocínio nos carros dos Moraes. Melhor assim, pois em 1974 o estado não tinha a mínima infraestrutura turística para receber estrangeiros.

Não que o automobilismo de pista do Piauí fosse pujante. Não existia, e não existe até hoje. Os irmãos eram radicados no Rio, donos da Speed Motors, de fato Luis ganhou uma prova com um Porsche 910 em 1971. Assim que a maioria das referências aos mesmos os indica como cariocas. Marcos correu mais do que Luis Carlos.

Era uma excelente oportunidades para fazer boa figura na F-3, pois algumas provas não tinham nem dez carros no grid, e a grande maioria dos pilotos era de péssima qualidade. Houve até um indiano na jogada, Hany Wiano, algo muito raro no automobilismo de 1974, e um uruguaio, outra raridade, Pedro Passadore. Mas infelizmente o grande contingente brasileiro não aproveitou a deixa, e só Alex Dias Ribeiro ganhou corridas. José Pedro Chateaubriand correu na equipe oficial da March, mas não chegou ao topo do pódio e voltou ao Brasil botando muita banca.

No caso dos Moraes, o GRD não era lá essas coisas, de fato, a fábrica não passou daquele ano. Marcos não era muito experiente, e a temporada não foi frutífera. Julio Caio, de São Paulo, fez algumas corridas para substitutir os irmãos (e trazer algum patrocínio a mais), sem muito sucesso, e voltou encantando com a Formula Atlantic, dizendo que voltaria à Europa no ano seguinte. Nunca voltou. O melhor resultado foi um quarto, de Luis, e após algumas desavenças o Team Brasil e o Piauí se afastaram do automobilismo para sempre.

Assim chegavam os nordestinos nas pistas européias, que seja através do Rio de Janeiro.

Carlos de Paula é tradutor, escritor e historiador de automobilismo baseado em Miami

Tuesday, February 19, 2013

BRASILEIROS NA FORMULA 3 , 1971

 

Só dois brasileiros se aventuraram na Fórmula 3 européia, apesar da visita da categoria no começo do ano: os cariocas Ronald Rossi e José Maria Giu Ferreira, ambos com experiência na Fórmula Ford no ano anterior. Os dois amigos compraram um par de Brabham Fords, mas a temporada não foi bem sucedida. Estavam inscritos para muitas corridas em que não apareceram, por uma série de problemas. Rossi não largou em Brands Hatch, e apesar de ter se classificado em 2° para a largada da sua bateria, na estréia em Mallory Park, seus melhores resultados foram um par de 4° lugares, na mesma corrida de Mallory e Brands Hatch. Giu conseguiu a façanha (4° lugar) na sua última corrida, em Oulton, tendo obtido dois 5°s lugares.

Naquela época não existiam equipes profissionais de F-3, como hoje, e os pilotos basicamente tinham que fazer tudo. Os dois pilotos ainda participariam da primeira temporada brasileira de F-2, do fim do ano, sem muita distinção. Como consolação, os dois cariocas foram participar em uma prova de F-3 obscura na cidade dinamarquesa de Silkeborg, e fizeram um honroso 1-2. A prova era extra-campeonato.

1 vitória

Carlos de Paula é tradutor, escritor e historiador de automobilismo baseado em Miami