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Monday, March 4, 2013

Wilsinho na Temporada de F3 de 1971

Sem dúvida, a melhor performance Wilson Fittipaldi Junior no automobilismo internacional ocorreu na Temporada Brasileira de Fórmula 3, no início de 1971. Wilson ganhou duas etapas, sendo o brasileiro que mais se destacou no torneio. E nas etapas que não ganhou, ganhou uma bateria em cada.

Havia muitos brasileiros excelentes no torneio, incluindo Jose Carlos Pace, Fritz Jordan, Luiz Pereira Bueno, Marivaldo Fernandes e dois pilotos cariocas que fariam parte da categoria naquele ano, Jose Maria Giu Ferreira, e Ronald Rossi.

Entre os estrangeiros, havia um futuro campeão mundial de F1, Alan Jones, e alguns futuros pilotos da categoria máxima do automobilismo, David Walker, Francois Migault, David Purley, Tony Trimmer e Torsten Palm. Entre os que nunca chegariam a F1, destacavam-se Giovanni Salvati, que ganhou uma prova na geral, e o suiço Jurg Dubler.

Na primeira corrida, a primeira fila foi completamente brasileira, com Wilsinho na ponta, seguido de Pace e Luisinho. Wilsinho ganhou as duas baterias, de passagem, dois 1-2 brasileiros, na primeira seguido por Pace, na segunda por Luisinho.

Uma semana depois, no dia 17, Wilsinho conseguiu mais uma vez a pole, com 3m01.8", desta vez seguido do italiano Claudio Francisci e Moco. Wilsinho ganhou as duas baterias, a primeira seguido de Salvatti e a segunda, de Walker, que era um dos pilotos oficiais da Lotus (o outro era Trimmer)

Na terceira prova, do dia 25, Wilsinho não marcou tempo de classificação, e mesmo largando em último (em vigésimo lugar) , ganhou a bateria por quatro décimos de segundo sobre Walker. Na segunda bateria, Wilsinho chegou somente em sexto, e o vencedor da bateria, Giovanni Salvati, acabou vencedor no agregado.

Em Porto Alegre, David Walker finalmente ganhou uma corrida, fazendo jus ao título  de favorito. Wilsinho marcou a pole, com Pace em terceiro lugar, e ganhou a primeira bateria, mais uma vez com um décimo de diferença. Na segunda bateria, Walker conseguiu superar Wilsinho por dois décimos, assim, ganhou na geral com um décimo de diferença!.

Walker dominaria a F-3 inglesa naquele ano, que o levou a ser contratado como piloto da Lotus na F1, em 1972.  Na F1, o piloto rápido simplesmente desapareceu, e sequer marcou um ponto enquanto o brasileiro se sagrava campeão mundial. Para piorar, Emerson Fittipaldi disse que foi o companheiro de equipe mais estranho da sua vida nas pistas. Wilsinho fez boa temporada na F2 em 1971, sem nenhuma vitória, e também chegaria na F1 em 1972. Giovanni Salvati participaria da temporada de F2 no Brasil, no final do ano, e foi morto em um acidente em Tarumã.

A Temporada Brasileira de F3 foi o epílogo da F3 de 1 litro.

Carlos de Paula é tradutor, escritor e historiador de automobilismo baseado em Miami    

Wednesday, February 13, 2013

BRASILEIROS NA FORMULA 3 , 1974



Por Carlos de Paula
De um modo geral o ano de 1974 foi um ano difícil para quase todas as categories do automobilismo mundial, salvo a Fórmula 1. A causa principal foi a forte recessão mundial, causada pelo primeiro choque do petróleo de 1973, que por conseguinte, criou a a percepção (falsa) de que o esporte automobilístico era um desperdício enorme de petróleo. A categoria que mais sentiu o baque foi a Fórmula 3 inglesa. Os grids cheios e provas disputadas de 1973 deram lugar para grids que freqüentemente tinham menos de dez carros, havendo a vezes a necessidade de incluir carros de outras categorias, para a coisa não ficar tão feia. Em uma prova de um dos torneios ingleses, só dois carros da categoria largaram!

Entretanto, diversos brasileiros haviam planejado um ataque à categoria em 1974, e pelo menos um deles com um forte esquema, na teoria. O mais bem sucedido acabou sendo Alex Dias Ribeiro, campeão brasileiro de Formula Ford em, 1973, e que já havia disputado algumas provas de F-3 no final daquele ano. Alex resolveu disputar os campeonatos com um GRD, o que não era uma má idéia em 1973, só que o carro de 1974 não era grande coisa. O patrocinador de Alex era a Hollywood, e ao todo o mineiro radicado em Brasília disputou vinte corridas e obteve três vitórias, e diversas outras colocações entre os seis primeiros. Alex teve quebras de equipamento que o impossibilitaram de disputar algumas provas, mas ganhou já na sua quinta corrida, em Snetterton, depois ganhando também am Oulton Park e Brands Hatch. Acabou sendo vice-campeão de um dos torneios.

José Pedro Chateaubriand trouxe diversos patrocinadores brasileiros, entre os quais a SPI e a Rodão, para a equipe de fábrica da March, inegavelmente a melhor posição na categoria. Entretanto, seu companheiro de equipe Brian Henton, dominou amplamente os dois campeonatos, mas o brasileiro mesmo só obteve dois segundos lugares, sem o destaque do inglês. Chateau disputou vinte e sete corridas, e obteve seus segundos lugares no final do ano, em Brands Hatch e Oulton Park.

Já Marcos Moraes, desconhecido piloto no próprio Brasil, comprou GRDs e compareceu às corridas num ambicioso Team Brasil. Pontuou na sua primeira prova, 5° em Silverstone, mas também havia tão poucos concorrentes que o difícil era não pontuar. Problemas com equipamentos e adaptações afastaram a equipe da maioria das provas da primeira metade do campeonato, mas a partir da terceira corrida de Silverstone, o carro preto estava de volta numa base permanente. A melhor colocação de Marcos foi 4°, em Thruxton, já no final do ano, e ao todo, pontuou sete vezes. Seu irmão Luis Moraes também disputou duas provas, obtendo um bom quinto lugar em Snetteron, e abandonando em Silverstone. Outro piloto a correr com o team Brasil foi Julio Caio, que chegou em 6° em Silverstone, na sua estréia, e abandonou em Snetteron. Daí por diante a equipe nunca mais alinhou dois carros, somente o carro de Marcos.

Marivaldo Fernandes alugou um carro da March quando estava na Inglaterra e realizou o sonho de correr na Europa, chegando num excelente quarto lugar em Silverstone. Teleco, que no ano anterior disputara algumas provas da categoria, só conseguiu largar três vezes, e depois desapareceu dos circuitos ingleses. Seu melhor lugar foi sétimo.

E quando Henton já tinha garantido os dois campeonatos, certamente por concessão aos patrocinadores brasileiros, a March inscreveu Jan Balder em duas corridas. Infelizmente a sua performance foi longe do desempenho de Henton, abandonando uma prova e chegando em décimo, na outra.

Ao todo, oito pilotos brasileiros disputaram ao menos uma prova do campeonato. Desses, somente Alex conseguiria atingir a Fórmula 1, embora Chateaubriabnd tenha corrido na Formula 2 no ano seguinte.
Alex e o GRD patrocinado pela Hollywood. Volta às vitórias na F3


Carlos de Paula é tradutor, escitor e historiador baseado em Miami